sábado, 9 de outubro de 2010

Futebol

Compreendo aqueles que tanto criticam, aqueles cuja indiferença predomina, compreendo até mesmo aqueles que, com razão, justificam sua aversão pelo fato deste ser o ópio do povo, uma forma de controle social. Compreendo.
Ah, que forma de ser manipulado. Pois digo-lhes que se toda forma de controle do povo fosse como esta, seríamos ignorantes felizes e apaixonados, morrendo por um lado, porém vivíssimos e satisfeitos por outro.
A paixão pelo futebol é adolescente e infinita, não acaba, não nos deixa. Não se tranforma no amor chato e entediante, não cai na rotina, ela é e sempre será a maior paixão de um homem ligado ao suprassumo esportivo. Nos faz chorar, nos faz gritar, nos faz sorrir e, acima de tudo, nos faz esquecer, mesmo que durante apenas 90 minutos, de toda a dor e dificuldade presentes.
E que 90 minutos. Um tempo inesgotável, em que o ódio se transforma em êxtase pleno em menos de 5 segundos. É o tempo que para, são as luzes que acendem e focam única e simplesmente em você, pois é a ti que o combate é feito, é para sua satisfação e de mais ninguém. Guerreiros suam e se digladiam em sua homenagem, com toda sua raça e disposição. Pois neste mundo de fantasia e paixão, a hipocrisia não existe e o dinheiro torna-se apenas um coadjuvante.
Ah, que guerreiros, aqueles que não traem, aqueles que sentem, aqueles que choram. Lutam em poças, correm em desertos, escalam montanhas, pois é para ti, é para todos, é para que, no fim, possamos, debaixo de lágrimas e gritos ecoados, soltar o sonoro: É campeão!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Comer Rezar Amar

Perder o equilíbrio por amor, é sinal de uma vida equilibrada.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Medos

Muitos buscam por algo sem fazer ideia exatamente do que vão encontrar. Supervalorizam ou se apegam demais a tudo quando não vejo motivo algum a não ser por um grande orgulho, satisfação pessoal ou carência (falta de amor próprio). Tenho um exemplo que mostra bem o que eu disse nesse início e acho legal confessar: quando mais novo, sonhava em ser astrônomo quanto na verdade as portas da vida me abriram para as Ciências Contábeis.
Nada mal para quem leva a vida como um método de “partidas dobradas” (para todo um débito deverá haver um crédito) e os sentimentos como um “balanço patrimonial contábil” – mesmo sendo considerada a contabilidade uma ciência “social” e não “exata” – pois tudo na minha vida tem que fechar de forma lógica e racional. E nem sempre estou certo quanto a isso, pois sofro muito mais de forma “social” e “normal” do que “científica” quando encontro dificuldades na vida.
Antes soubesse, naquela época, que realmente não existe nada demais em tudo isso, ou mais ainda, soubesse que verdadeiramente não iria chegar a viver o que considerava um sonho, mas nem sempre temos aquilo que queremos.
A verdade é que: “desejos molhados” é uma coisa; e “necessidade de crescimento” é outra.
A velocidade me pegou de um jeito que eu não poderia prever. Junto a isso, o preparo também ficou longe do meu lado. Sem preparo, tudo fica ainda mais complexo. O que me impediria de construir um caminho suicida? Ou ainda mais, onde será que busquei a força necessária para conviver com tudo isso de forma a não me perder? Não sei, só sei que sei. Talvez a criação dada pela a minha mãe e a ausência do meu pai tenha sido fundamental e primordial para que o meu processo de amadurecimento tenha-se consumado através do profissionalismo precoce. O fato é que essa sedução e ganância por crescimento e maturidade precoce têm encontrando ao longo do tempo um escudo que eu não conseguia enxergar, mas que esteve sempre ali e que por ora eu venci e todo o impacto absorvido tenha gerado um efeito muito desagradável. Também sei que agora preciso vencer uma batalha épica interna com uma pessoa que amadureceu cedo demais dentro de mim e que pulou algumas etapas da ordem natural.
Acredito que praticamente todos os complexos humanos sejam causados pelo medo. O medo define muita coisa, prejudica imensamente qualquer ser humano. Hoje, por exemplo, nesse exato momento, tenho medo. Embora ninguém saiba, embora me vejam como uma pessoa segura, racional e centrada, o medo é algo presente em minha vida a todo instante. Lutar contra ele é como ou secar gelo na tentativa de dominar o mundo só com a racionalização. O medo não bate na porta, não avisa que está chegando e muito menos se retira quando solicitado. Enfrenta-se o medo com atitudes, arriscando e com o auto-conhecimento. E como todo processo, existe um marco zero, com a confissão do medo. Não tenho vergonha em tê-lo e dizê-lo, aliás, não compartilhar dele seria provavelmente prepotente e arrogante, tendo em vista tudo o que vem acontecendo em minha vida. Pleitear segurança e estabilidade emocional sem arriscar seria não apenas mentiroso, como covarde. E provavelmente o primeiro passo para a decepção.

Acho que esse texto seja apenas um desabafo solitário, uma forma de deixar claro para mim mesmo: não há relacionamento, dinheiro ou prazer suficiente para segurar minha estabilidade emocional. Pelo contrário, são esses os principais ingredientes para um desajuste, momentos perigosos e traiçoeiros quando não se há paz interior e inteligência emocional. Estou no início de tudo isso de forma mais clara e madura e somente agora percebo, mesmo que em menor escala, tudo que envolve o meu crescimento profissional e sentimental. E eu bem achava que seria fácil administrar tudo isso.
Do medo vem a angústia, a insegurança, o pânico do fracasso (algo que me acompanha ultimamente). Mas dentro do pacote também posso notar a vontade de provar pra mim mesmo de que sou capaz, embora, confesso novamente, algumas vezes chego a questionar de forma insegura essa capacidade através da baixa-estima. Um turbilhão de emoções, presente em qualquer indivíduo que tenha vivido uma vida de luta, muito trabalho e decepções amorosas, agora elevadas à milésima potência. Não posso dizer que tudo isso irá acabar, pois foi da boca de um ministrante que ouvi que não há ator e músico de verdade que não sinta nervosismo antes de entrar em cena, a não ser os arrogantes. Assumo meus medos, assumo minhas inseguranças e prometo pra mim mesmo que, seja qual for o desafio, jamais deixarei que esses sintomas controlem minha mente e corpo o suficiente para fazer com que eu não tenha a força para vencê-los.
A coragem e o compromisso hão de falar mais alto, sempre.


Marcus Vinicius

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pão e Circo

Nessa política de pão e circo, raras vezes pudemos presenciar tanto circo. Nem mesmo com Getúlio e suas infinitas táticas minuciosas de distração popular através do futebol, fomos capazes de presenciar tamanha chafurdação do povo em ópio fantasioso. Que tipo de pessoa reclamaria de seu governo quando este traz para o país o Panamericano (os jogos, não o banco), a Copa do Mundo e, quem sabe, as Olimpíadas?
Contudo, uma realidade é clara: o Brasil não está preparado para sediar uma Copa do Mundo. Este fato é nitidamente comprovado por qualquer fã futebolístico acostumado a marcar presença nos estádios brasileiros. O motivo? A corrupção dos ingressos.
Se você acha que poderá assistir a sua seleção, ou a qualquer outra partida da Copa, pense novamente. Maiores são as chances de você conseguir tal proeza no sul da Indonésia do que em seu próprio país. A menos, é claro, que sejas dotado de um imenso potencial financeiro, capaz de pagar as fábulas exorbitantes cobradas pelos ingressos oficiais ou as mais fantasiosas cobradas pelos cambistas. A Copa não é para o povo brasileiro, povinho que se reunirá às portas dos estádios para assistir em telões, tomando sua Skol (3 “é” 5) e preparando o funk para a seqüência.

Ainda não se sabe ao certo como será o esquema adotado em 2014 para a venda dos ingressos, mas de uma coisa já sabemos: da porcentagem destinada aos brasileiros a preços populares (esta ridiculamente pequena), a esmagadora maioria será vendida diretamente aos cambistas, agências de turismo e estabelecimentos comerciais, que automaticamente converterão os valores para os milhares de reais ou sorteios (Guanabara que o diga). Você não verá a cor deste ingresso, nem eu, nem qualquer um de nós. A situação é vergonhosa, não há estrutura, não há organização. E nossa polícia, bem, ela de fato sabe como agir neste tipo de caso, descendo o sarrafo em inocentes e jogando spray de pimenta em mulheres e crianças.
Um exemplo claro do despreparo completo do país para um evento de grande porte foi a final daLibertadores 2008, entre Fluminense e LDU. A corrupção foi tanta que, em apenas 4 horas, todos os 68 mil ingressos já estavam esgotados. Para isso acontecer, teriam de vender 5 ingressos a cada 1 segundo. O detalhe é que não houve venda pela internet, somente nos guichês especializados (imaginem, 5 ingressos por segundo).



Além de todos os motivos que levam um cidadão inteligente a ser contra o evento, teremos ainda os gastos públicos focados na construção de estádios de última geração. Dinheiro este que será absurdamente super-faturado para encher mais ainda os bolsos dos safados corruptos, marca característica desta União.
Veremos, como vimos no Panamericano, o dinheiro escoando dos cofres públicos, aos bilhões, em obras depois esquecidas, ou até mesmo dadas! Vide a vergonhosa situação de entregar, completamente de graça, um estádio que custou 280 milhões de reais (do nosso dinheiro) para o Botafogo. Dinheiro esquecido, escoado pelo ralo para encher os olhos de uma população necessitada de entretenimento. Vide também os milhões gastos na arena multiuso e no parque aquático Maria Lenk, completamente abandonados às moscas.
Penso, ou melhor, desespero-me ao imaginar a quantidade de bons projetos que seriam viabilizados com tamanho orçamento público. Esse é o país em que vivemos, a vergonha de governo que temos.

Adolescência...

A rebeldia adolescente é uma verdade quase absoluta na história humana. Aquela maldita fase cheia de espinhas onde o objetivo principal é simplesmente passar “causando” o máximo possível. Justo por isso há uma incrível tendência de ignorar completamente os conselhos daqueles que, com certeza, sabem muito mais da vida que os próprios melequentos.

Tentar manter uma conversa inteligente com um adolescente é tarefa para verdadeiros guerreiros. Sei disso, pois, via nos olhos dos adultos na época o sofrimento que era para me doutrinar. A simples e única idéia do rapazinho estar falando com alguém que ele considera adulto já faz com que sua vontade de produzir sons caia drasticamente. A coisa toda vira praticamente um monólogo, com o adolescente numa expressão de “tromba”:
- Fala marquinhos, tudo bem, rapaz? E aí, como que você tá?
- Bem.
- Que bom… E o Fluminense hein, tá mal… Na terceira divisão hein?
- É.
- Tem acompanhado os jogos, torcendo?
- Uhum.
- E a mulherada, já tá namorando?
- (silêncio) – ele vira os olhos pra cima e ignora a pergunta. Esse é o momento em que você inventa uma desculpa e vai embora.

Acredito que, se fosse possível instalar um sistema de interpretação dos pensamentos desse rapaz supra citado, sairia algo como: “que coisa insuportável, será que as pessoas não percebem que eu sou diferente? Que eu sou especial? Eu tenho uma visão muito mais ampla, consigo compreender as coisas, detesto perder tempo com conversas idiotas”. O adolescente sempre se considera “mais” alguma coisa, quando a realidade o trata de forma muito mais dura.

Nessa fase, todos os conselhos são ignorados. Os pais deixam de ser o modelo a se seguir e passam a ser os obstáculos a se driblar. Aliás, todos os pais de adolescentes são insuportáveis e “os pais dos meus amigos são muito melhores que os meus”. Absolutamente todos os conselhos passam para a linha do “ai que insuportável”.
“Meu filho, não bebe na festa, você não precisa beber para se inserir” – Ai, que insuportável.
“Marquinhos, se você sentir que vai rolar alguma coisa com uma menina, não esquece da camisinha” – Ai, que insuportável.
“Você precisa passar o protetor solar” – Ai, que insuportável.
“Você não está usando drogas, né, meu filho?” – Ai, que insuportável.
“Marcus Vinicius, larga o computador um pouco, vem ficar com a família” – Ai, que insuportável.

Hoje em dia, chega a me assustar como o padrão de comportamento é quase o mesmo para todos os adolescentes quando o assunto em questão é a interação com adultos. Engraçado que eu achava isso nromal demais. Claro, muitos deles variam entre si, como “O Pegador”, “O Nerd, “A Piranha”, “A Santinha”, entre tantas outras variações, mas em resumo, quando se trata de gente mais velha, o comportamento é o mesmo. Aliás, já repararam que a variação entre si dos adolescentes é sempre com relação à quantidade de parceiros ou interessados do sexo oposto? Uma verdadeira guerra do beijo na boca, onde o status social depende inteiramente da forma como você lida com isso. Os rapazes sobem quanto mais mulheres “pegam” e as meninas sobem quanto mais homens “ficam interessados por ela”, lembrando que, se ela ceder para um número considerado “grande”, já passa para o status de piranha.

O tempo passa, é claro, e aquele adolescente rebelde, todo revoltado com o sistema, ora tímido e ora extrovertido que só usava preto, começa a perceber como os conselhos da mamãe eram sensatos. Percebem que a frase padrão do “eu nunca vou fazer com meus filhos o que vocês fazem comigo” não passava de rebeldia, pois agora tudo faz sentido. As experiências vão ensinando, a sabedoria dá seu “start” e a vida começa a ficar muito mais séria.

Marcus Vinicius

Eu quero o bom e velho rock de volta!



Se existe um assunto que me pertuba e muito é esse. Quem me conhece já me viu com comportamento revoltado e não contente com as coisas que me indagam inúmeras vezes, seja de forma xingando, resmugando e perguntando para Deus porque estamos vivendo a pior fase da história do rock nacional, quer dizer, o que fizemos para merecer eles como principais representantes do nosso rock?

Donos de um exército de fãs de 13 anos, que não sabem nada de música e se excitam ao ver meninos afeminados com roupas de mulher, Restart está sendo considerado o novo modelo de rock nacional por muitos meios de comunicação. O happy rock, acaba não sendo apenas a revolta dos emos que queriam ser felizes, também estão conseguindo acabar com a qualidade e a credibilidade do nosso bom rock n roll nacional, que já foi de altíssimo nível um dia.. e faz tempo... 

“No prêmio Multishow, após a autodemissão do diretor do canal, Guilherme Zonta, que declarou: tenho um carinho muito grande pelo Multishow”, afirmou o ex-diretor. “Foi uma casa onde aprendi muito e também ajudei a construir ao longo dos anos. No entanto, já faz algumas edições que o prêmio virou um grande canteiro de gente ruim, artistas fracos, sem personalidade e apenas com apelo comercial" (salva de palmas ). 

Para ele, artistas como Nxzero, Cine, e até mesmo o Restart não merecem estar todos os anos entre os indicados. Um dos componentes do restar declarou "Somos a salvação do rock! Não sei o porquê de tanta má vontade com a gente! Somos os Beatles do ano 2000! Além de sermos um bando de jovens com fãs histéricas também temos 300.000 seguidores no Twitter!"

Para tudo. Eu sinto a sua indignação, que gosta tanto de rock, juro! 

As fãs histéricas do Restart atacaram de novo, e foi no VMB 2010.

Restart levou cinco prêmios na noite e o prêmio mais desejado de ARTISTA DO ANO, obviamente sobre fortes vaias da platéia, que continha pessoas obviamente com mais de 13 anos e que já tiveram sua primeira menstruação.

Como cresci ouvindo bandas nacionais de altíssimo nível como Raimundos, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Cazuza, Titãs, Charlie Brown Jr., Irá !, Raul Seixas, Skank,Mamonas, Planet Hemp, Capital Inicial etc.. Não consigo aceitar de jeito nenhum que toda história que eles construíram seja apagada pela sombra rosa desse rockzinho podre que está ai. E não começou com eles essa história de apelar para adolescentes histéricas para conseguir vender CD's e músicas totalmente sem conteúdo, vejo Nx Zero e Fresno como o começo dessa moda idiota, bandas que se vendem para conseguir fama me dão um nojo que sinto vontade de vomitar neles..

Não vamos ser idiotas, vocês realmente acham que eles gostam do que tocam? Tem um puta produtor que os moldam para se tornarem melhor vendáveis para um público potencial, adolescentes carentes de afeto. E eles se vendem pelo dinheiro e fama que isso trará obviamente.

Não vamos ser idiotas [2], de acreditar que não existam novas bandas ótimas por ai que tocam um rock de alto de nível, com grande conteúdo e que representem bagarai a gente. O grande problema é a máfia que está por trás da indústria musical e das rádios, é tudo questão de influência e dinheiro. O bom não é mostrado por ser bom, na real o que ocorre é o que tem maior potencial de venda e de dinheiro para trazer que é contratado e divulgado.

Não vamos deixar nosso rock na mão de crianças que não sabem nada! Tomem atitude, não é só você que tá de saco cheio desses caras encobrindo grandes músicos que já existem e que estão por vir.




domingo, 26 de setembro de 2010

Arrependimento

Já fiz muitas coisas que hoje categorizo na lista das imbecilidades durante a vida. Mas o que seria dos acertos sem os erros? Qual seria nosso parâmetro para o comportamento ideal e a harmonia, sem o contrapeso do que nos faz mal? É preciso conhecer a fera para poder enfrentá-la. Contudo, no meio de uma vida onde erramos e acertamos, onde deve ficar encaixado oarrependimento?
Há um fato fundamental a ser colocado em cima da mesa antes que possamos julgar atitudes: o ser humano está quase sempre lutando para o seu próprio bem-estar. Isso significa que mesmo uma ação posteriormente julgada como estúpida provavelmente fora realizada com objetivos claros de conseguir alguma coisa. A frustração, contudo, é um dos grandes catalizadores para o arrependimento. Quando não conseguimos aquilo que gostaríamos e, por consequência, ainda temos um prejuízo por conta do ato, a primeira afirmação que chega aos nossos pensamentos é:“como me arrependo de ter feito isso”, ou, mais comum: “se eu pudesse voltar no tempo…”.
Sim, existem atos verdadeiramente estúpidos. Contudo, há também uma linha mais tênue entre o arrependimento sincero e o covarde. Observo, com uma constância maior do que gostaria, pessoas que colocam a culpa de tudo em suas próprias decisões do passado. “Ah, se eu não tivesse largado a faculdade”, “ah, se eu tivesse seguido o conselho de meu pai”, “ah, se eu não tivesse saltado do quarto andar pensando que era o Super-Homem e ficado paralítico” – Ok, a última de fato eu consigo enxergar como arrependimento sincero, mas as demais não passam de bobagens atiradas por covardes. E mesmo o paralítico deve ter plena consciência de sua capacidade.
Não há ação que não gere reação. Nossos atos, sendo ou não estúpidos, tendem a nos devolver consequências positivas e negativas. O cidadão que decide cheirar uma carreira de cocaína sem dúvida viverá momentos de êxtase, mas não preciso comentar sobre os efeitos negativos que podem acompanhá-lo. Nossas bifurcações existenciais são, muitas vezes, como a carreira de cocaína posta em nossa frente, devemos decidir, num misto da personalidade que temos baseada nas influências que nos cercam, muitas vezes em pouquíssimo tempo. E é aí que muitos outros fatores começam a pesar de forma considerável.  As consequências, podem ser tão maravilhosas quanto trágicas. O que não podemos nunca esquecer, contudo, é de todas as experiências que aquele momento nos proporciona.
O arrependimento bate nesses momentos. Nosso cérebro, na tentativa de tentar se defender da dor, imagina as possibilidades do “se”. “Se eu não tivesse me entregue ao amante”, “se eu não tivesse comprado”, “se eu tivesse terminado mais cedo”. Não, a vida não é baseada nos “se’s” a menos que saia da mente de Einstein em teorias só postas em práticas nos seriados de J.J. Abrams. Nossa existência é feita de momentos, sensações, sejam prazeres ou dores. Arrepender-se de algo é automaticamente desejar que sua vida inteira pudesse ser alterada, pois não há ato, por menor que seja, que não tenha completa e total ligação com o que você é hoje.
Por muitas vezes desejei a habilidade de voltar no tempo para poder consertar um erro do passado. Ledo engano. Hoje posso enxergar com clareza, que seja nos erros ou nos acertos, nós sempre temos algo positivo a receber de qualquer consequência. Aprender, tornar a errar, acertar, acertar em excesso e descobrir um erro, todas as nossas ações moldam nosso comportamento, personalidade, caráter, podendo nos levar para profundas depressões ou entusiasmados estados de alegria. O grande ponto central daqueles que perdem seu entusiasmo, contudo, mora na perda de alguma referência.
Enxergar-se como um fracassado é a formula ideal para que você realmente venha a ser um fracassado, pois não existe um único homem vivo que possa ser considerado como tal. O fracasso é o resultado da frustração, mas não há mal irremediável o suficiente que o ser humano não tenha forças para vencer, ou pelo menos não àqueles que ainda possam se mover e pensar. Seja um jovem de dezoito anos que se vê numa situação desesperadora, ou um senhor de sessenta que acaba de decretar falência, sempre há um jeito de recomeçar.
Cada segundo lamentando pode representar um ano perdido. Dores existem, lidemos com elas, mas sigamos em frente, sem medo de cair de novo. Nosso potencial está na determinação e não no pesar.